Atualizado em 11/02/2021 13:59 por Rubens Silva
No ritmo atual, Paraná levaria ao menos quatro anos para vacinar toda a população
Considerando o ritmo atual da vacinação o estado precisaria de aproximadamente um ano para aplicar ao menos a primeira dose do imunizante em toda a população de risco do estado.

Para conseguir atingir a meta estipulada pelo próprio Governo do Estado, de vacinar pelo menos 4 milhões de pessoas contra a Covid-19 até o final de maio, o Paraná terá de acelerar – e muito – o ritmo da imunização da população paranaense.
Segundo levantamento feito pelo Bem Paraná, considerando o ritmo atual da vacinação o estado precisaria de aproximadamente um ano para aplicar ao menos a primeira dose do imunizante em toda a população de risco do estado, ao passo que para a imunização completa de todos os paranaenses o período ultrapassaria quatro anos.
Para fazer o cálculo, o Bem Paraná se baseou no número total de paranaenses a serem vacinados — 8.736.014 pessoas segundo o IBGE, já que os menores de 18 anos não serão imunizados agora — e também na própria meta da Secretaria da Saúde (Sesa), que prevê vacinar o total de 4.080.110 pessoas até o quinto mês do ano.
Além disso, foi feito o levantamento sobre o número de doses aplicadas no estado, dia a dia, de forma a se verificar quantas pessoas estão sedo imunizadas diariamente (em média), considerando-se ainda que os imunizantes utilizados no Brasil devem ser aplicados em duas doses.
No Paraná, a vacinação contra a Covid-19 teve início em 20 de janeiro. Naquele dia, pouco depois das 15 horas, todos os municípios já haviam retirado as suas cargas de imunizantes, a maioria iniciando a vacinação no mesmo dia, embora algumas cidades já tivessem feito vacinações simbólicas nos dias anteriores. No dia seguinte, Londrina e Maringá, no norte do Paraná, e Umuruama, no noroeste do estado, também deram início à vacinação com eventos simbólicos.
Desde então, 215. 798 doses do imunizante foram aplicadas no estado, considerando-se o intervalo entre os dias 20 de janeiro e 9 de fevereiro. Descontando os domingos, então, foram 18 dias com a vacinação acontecendo no Paraná, o que dá uma média de 11.989 doses aplicadas da vacina contra o novo coronavírus por dia.
Dessa forma, para alcançar a meta de 4.080.110 pessoas imunizadas, o Paraná, no ritmo atual, precisaria de pelo menos 340 dias de trabalho das equipes de vacinação, considerando apenas a aplicação da primeira dose do imunizante (o que já poderia garantir uma imunização mínima aos paranaenses).
Já para a imunização completa da população acima de 18 anos, seria necessária a aplicação de 17,47 milhões de doses no estado, o que levaria aproximadamente 1.457 dias de trabalho ininterruptos.
Ou seja, seriam pelo menos quatro anos vacinando a população, mas como há folgas e feriados, o período chegaria a algo entre quatro anos e meio a cinco anos – e isso sem considerar o fato de que ainda não se sabe qual o “prazo de validade” da imunização, ou seja, quanto tempo a vacina consegue garantir a imunidade do indivíduo.
O cálculo feito pelo Bem Paraná chegou a um resultado muito próximo do levantado pelo microbiologista da Universidade de São Paulo (USP), Luiz Gustavo de Almeida, que levantou quanto tempo o Brasil levaria pra vacinar toda a população, no ritmo atual. A similaridade entre os resultados, inclusive, pode ser uma evidência de que a maior causa na lentidão do processo não seja exatamente a falta de estrutura ou pessoal, mas sim a escassez de vacinas.
“Já em plena pandemia do Covid, conseguimos vacinar 54 milhões de pessoas contra a gripe [no país] em cem dias, sem grandes esforços. No caso da Covid, deveríamos conseguir no mínimo o mesmo número, idealmente mais, se abríssemos postos de vacinação em estádios e escolas”, disse Almeida em entrevista ao Estadão, explicando ainda que, diante da falta de imunizantes contra o coronavírus, a saída tem sido estabelecer prioridades, limitando também a quantidade de pessoas que poderiam ser vacinadas por dia.
“Um dos grandes gargalos é a questão das prioridades. Se tivesse vacina para todo mundo, era muito mais simples vacinar um milhão por dia. Se tivesse muita vacina, ninguém ia furar a fila, como aconteceu em Manaus”, explicou ainda o epidemiologista Fernando Barros, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). “Se não houver um clamor popular, uma grande pressão para a compra de vacinas, vão continuar morrendo mais de mil pessoas por dia.”
Fonte: Bem Paraná
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