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Atualizado em 18/03/2021 15:38 por Rubens Silva

Por que não é preciso ter medo de tomar a vacina de Oxford

Especialistas e agências de saúde dizem não existir motivo para a suspensão do uso e muito menos para recusar receber a primeira ou segunda dose da vacina.

Desde que países europeus anunciaram uma possível relação entre a vacina de Oxford com o surgimento de tromboses, muitas pessoas estão com medo de receber o imunizante contra a covid-19. Especialistas e agências de saúde dizem não existir motivo para a suspensão do uso e muito menos para recusar receber a primeira ou segunda dose da vacina.
Em comunicado na quarta-feira, dia 17, a OMS (Organização Mundial de Saúde) apontou que "os benefícios da vacina de Oxford superam seus riscos" e recomendou que a vacinação continue.
O virologista Maurício Lacerda Nogueira, professor da Faculdade de Medicina de São José Rio Preto, é direto ao falar do uso do imunizante. “Ninguém precisa ter medo. É muito mais arriscado um idoso pegar covid grave do que ter trombose e, na fase atual que estamos no Brasil, as chances de um idoso morrer de covid é grande. Então, vá tomar sua dose tranquilamente. Os riscos de qualquer fenômeno, ainda que não sejam atribuídos à vacina, são muito menores que o risco da covid”, explica.
No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) segue o mesmo caminho da OMS recomendando a continuidade da vacinação. Há seis casos de tromboembolismo notificados no país, mas a relação entre o problema e o uso da vacina não foi comprovado.
Cerca de 3 milhões de brasileiros receberam a primeira dose da Oxford, segundo informações da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), que começa a produzir o imunizante desenvolvido pela Universidade de Oxford e pela farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca no Brasil.
Para Monica Levi, presidente da Comissão de Revisão de Calendários Vacinais da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), é importante lembrar que os estudos não terminaram. “Em um país que tem excesso de imunizantes, como Pfizer, Moderna, Janssen, você pode interromper por precaução. A situação por aqui é diferente. Precisamos ressaltar que os efeitos colaterais estão em análise e tudo corrobora que os casos não tiveram relação com a vacina”, diz a médica.
O cirurgião vascular Bruno Lima Naves lembra que idosos têm mais chance de terem problemas vasculares. "O idoso tem as veias mais dilatadas, a musculatura da panturrilha é mais fraca e menos eficiente para impulsionar o sangue das pernas de volta ao coração", explica o presidente Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV).
Nogueira ainda lembra que eventos tromboembólicos tiveram a mesma incidência entre vacinados e não vacinados. "Nos ensaios clínicos foi verificado que aconteceu o mesmo número de casos de tromboses entre as pessoas que foram vacinadas com a Oxford e aquelas que não receberam o imunizante”, diz o virologista.
ENTENDA O CASO
As suspeitas sobre a vacina começaram no dia 8 de março, após a morte de uma mulher de 49 anos, na Áustria. A vítima morreu por graves distúrbios de sangramento e tinha tomado o imunizante dias antes. Até 9 de março, foram notificados 22 casos de trombose em mais de três milhões de vacinados com a droga na Europa.
Mais de 20 países suspenderam o uso da Oxford: Suécia, Letônia, França, Alemanha, Itália, Espanha, Luxemburgo, Chipre, Portugal, Eslovênia, Indonésia, Países Baixos, Irlanda, Bulgária, República Democrática do Congo, Tailândia, Romênia, Islândia, Dinamarca, Noruega e Áustria.
Segundo a Anvisa, o lote de vacinas que poderiam ter problemas não foi enviado para o Brasil.

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